O que cura uma análise?

Quem bate à porta de um analista pede uma ajuda para livrar- se de algum mal e encontra ali uma porta mesmo… e fechada… mas com um enigma:

“que queres? …Se quiseres saber: abra!”

Uma vez que essa porta da análise é aberta já não é mais possivel fecha-la! Caminho que cada analisante nos convida a andar ao seu lado percorrendo o livro de sua vida. Mas quando ele visita em suas repetições capítulos já contados acaba acrescentando uma vírgula, onde era uma frase corrida; ou tira um ponto final e resolve que certo mesmo é ter ali um ponto de interrogação. Às vezes encontra até mesmo um capítulo com vários parágrafos em branco. E de repente, não mais que de repente se vê editando a própria história. .

Ser editor da própria história não dá o poder de entrar numa máquina do tempo e apagar a história trágica e escrever uma história mais fofa no lugar! O que acontece é que ao narrar suas tragédias ou até suas comédias o analisante se dá a chance de adentrar no seu mundo fictício e fantástico descobrindo a possibilidade de pontuar sua história de formas mais criativas, ouvindo-se nesta narrativa pessoal e inconsciente, e então já não pode mais, porque nem consegue mais, se posicionar no mesmo velho lugar de dor, queixa, sofrimento. Algo nesta edição fez o sujeito mudar de lugar em suas próprias frases. Foi parar em outro lugar de seu texto. Sendo assim: como seria possível que ele ficasse no mesmo lugar diante do próprio sofrimento?

Quem pode curar-se da vida?

Que pode a vida curar?

Que cura pede a vida?

Que pede a vida?

Pede??

(Poesia da foto: Paulo leminski)

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